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domingo, 20 de fevereiro de 2022

TRISTE, CHOCANTE, REPULSIVO


Como amante da aviação, desde pequeno, me encanto com as aeronaves no ar. Não passa uma única que não chame minha atenção e me faça parar o que estou fazendo e admira-la.

Se estou numa região de rota ou próximo de um aeroporto, perco o foco para tentar achar alguma próxima e admira-la. É assim que sou em relação à essas máquinas maravilhosas.

Por isso, os acidentes aéreos com fatalidade me emocionam muito. Acho muito triste saber que pessoas se foram, famílias perderam alguém, corações ficaram manchados para sempre por aqueles que nunca chegaram a seu destino. E, pior, de uma maneira completamente alheia à qualquer chance. São apenas, como diz a própria palavra, "passageiros" nessa jornada infeliz.

De outro lado, como administrador, ex executivo em empresas multi nacionais e atento ao universo corporativo, entendo muito bem a dinâmica da ganância, da "ferocidade dos negócios" que busca o lucro acima de tudo. Custe o que custar.

Mesmo que sejam vidas humanas.

Um absurdo, uma tristeza. Chocante, como escrevi no título desse post.

A Netflix lançou, semana passada, o documentário DOWNFALL, THE CASE AGAINST BOEING.

Aqui você confere o trailer:


O Boeing 737 é quase o "Gol" dos aviões (comparando com o carro mais vendido, por décadas aqui no Brasil). Uma reportagem publicada pela CNN em janeiro de 2022, em seu canal CNN Travel, aponta que o 737 é o modelo mais vendido da história, para a aviação comercial. Um mega sucesso com quase 11.000 unidades vendidas !

Tendo feito meu primeiro vôo num 737 (modelo 100, PP-SMP da VASP), sempre admirei a empresa e suas máquinas voadoras, mas esse documentário é um soco no estomago e precisa ser forte para ve-lo até o final. Não estou exagerando não !

Quem acompanha notícias, em geral (nem precisa ser da editoria de aviação) acompanhou o absurdo que foi ver TODA A FROTA MUNDIAL de Boeing 737 MAX, forçada a ficar em solo por quase 2 (dois !) anos, depois de 2 acidentes em curtíssimo espaço de tempo. A razão disso, um novo sistema introduzido na versão MAX, o MCAS.

O MCAS deveria ser um sistema para ajudar a pilotagem da aeronave, mas, na verdade, como se vê no documentário,  se mostrou uma arapuca que levou à perda de mais de 300 vidas nesses dois acidentes.

O documentário é muito rico e detalhado, com informações muito bem trabalhadas, vários fatos demonstrados com cuidado e precisão. As animações feitas também são bem precisas e ajudam a mostrar o que se pretende pela direção do programa. Além disso, aprofundam como a empresa chegou nesse modelo, a pressa em seu desenvolvimento e a necessidade de lança-lo ao menor custo e o mais rápido possível.

É, no entanto, de dar nojo a história. Como se chegou ao ponto do que aconteceu, é, no mínimo vergonhoso para uma empresa; qualquer empresa. A manipulação de dados, de fatos, de acontecimentos, em nome do "lucro a qualquer custo" é muito, muito triste. E absurda.

Pior ainda é ver que, no final das contas, tudo, mesmo sendo nos Estados Unidos,  acaba em pizza. Pois é. Absurdo.

Dirigentes, mesmo sendo "obrigados" a se aposentar, levam boladas de bônus e compensações para casa e a empresa fica livre com uma multa que, mesmo sendo de um valor considerável, não é nada demais para quem fatura como ela.

Como disse, dá nojo ver esse tipo de situação acontecendo.

Nunca gostei desse tipo de abordagem empresarial e vendo exemplos como esse, gosto menos ainda !

O programa vale como lição de Gerenciamento de Crise (ao contrário, bem entendido !), de Relações Públicas e aprofunda conhecimento no caso em si. Recomendo totalmente.



Fontes: https://edition.cnn.com/travel/article/world-best-selling-airplanes/index.html#:~:text=1.,Cessna%20172&text=While%20the%20737%20and%20A320,reported%20to%20have%20been%20built., https://www.aeroflap.com.br/netflix-lancara-neste-mes-documentario-sobre-problemas-do-boeing-737-max/, 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O VÔO - FILME COM DENZEL WASHINGTON


Durante o Carnaval fui ver o VÔO (Flight) com Denzel Washington que estreou justamente naquele final de semana. Estava bem ansioso para ver o filme, pois o assunto sempre me atraiu (adoro aviação e filmes que “entram nesse mundo”), mas fiquei um pouco frustrado.

O filme tem 138 minutos e a sequência à bordo, quando há o problema no vôo que leva ao pouso forçado da aeronave comandada pelo personagem de Denzel Washington (Capt. Whip Whitaker) é bem rápida. Já havia visto vários trailers e making ofs, especialmente dessa cena que deu muito trabalho para ser feita (a equipe de produção construiu um simulador de aeronave para colocar vários artistas e figurantes virando de cabeça para baixo e de fato filmaram tudo com as pessoas de cabeça para baixo para dar grande realismo à cena), mas tudo é muito rápido. O resto do filme é muito “arrastado”, abordando o tema de consumo de álcool e drogas.

O filme relata um dia na vida desse piloto que, apesar de viciado, segue desempenhando suas funções como comandante de aviões. Claro, colocando a vida dos passageiros em risco por sua atitude de voar sob efeito desses produtos, mas, nesse dia, ao enfrentar uma super tempestade, o avião apresenta algum tipo de falha e sua experiência é fundamental para salvar quase todos a bordo. Com uma manobra super arriscada, inédita e que não se consegue reproduzir em simuladores, ele consegue pousar a aeronave.

Daí para frente seguem-se as investigações e esse é o tema central do filme: a investigação da conduta do comandante que pilota intoxicado. Acho que, como muitos que viram os trailers, esperava mais “ação aérea” e por isso fiquei frustrado. Claro que a performance do D.Washington é muito boa (como sempre).

Também estão no filme Brian Geraghty (que faz o co-piloto e já atuou por exemplo em Guerra ao Terror), Kelly  Reilly (que fez Sherlock Holmes), Tamara Tunie (fez várias séries de TV e no cinema esteve em Advogado do Diabo e Wall Street), Nadine Velásquez, Bruce Greenwood (de Eu, Robô, Star Trek e Dejá Vu) além de outros mais.

De qualquer forma, vale a pena ver.